Havia passado já algum tempo desde que estivéramos juntos. Já não conseguia suportar mais este estado de desassossego, a viver um constante apaixonar por todas as mulheres que vejo… todas também é um exagero! Mas por aquelas que me dedicam um infinitésimo de atenção!
Um estado de permanente ansiedade, a pensar que não vivo a minha vida ao máximo, que não tiro o maior partido da vida, sempre à espreita a cada esquina de poder aproveitar todas e quaisquer possibilidades, esperando não deixar nenhuma por testar. Na esperança de não desperdiçar um único segundo do pouco tempo que tenho, na busca incessante de que nessa miríade de possibilidades, há-de estar aquela que me há-de seduzir e arrebatar!
Queres-te vir! – perguntava ela sabendo antecipadamente a resposta!
Era uma pergunta redundante! Claro que me queria vir! Era escusado perguntar! Mas adorava a sua preocupação! A extrema atenção e dedicação com que me perguntava! Mais do que a mera sugestão ou predisposição apaixonada, ela fazia questão de o tornar explícito, concedendo-lhe uma força brutal de desejo carnal.
Havíamos chegado a um ponto sem retorno! Há tanto que o tempo nos tinha deixado, como se nos tivéssemos esquecido de tudo o que se passou, de tudo o que tivemos. Tínhamo-nos deixado levar, embalados pelo sonho, de amar aquilo que tínhamos encontrado!
O que resta do nosso amor?
Erguemos castelos, e saltamos muralhas… as mesmas muralhas que agora nos separam e defendem um do outro!
Carregamos o imensurável peso de um amor que já o foi, agora avassalado pela areia que se amontoa e sobrecarrega as paredes, levada pelos incontroláveis ventos, sopros e caprichos do coração. Mas a areia é sobrevalorizada! O que é a areia senão rochas pequenas minúsculas?!
Ela vem vestida apenas com o ar lascivo e pungente, com um calor intrínseco irradiante e contagiante. O andar simultaneamente afirmativo e ondulante. Os seios redondos palpitantes e bamboleantes em movimentos sincronizados com o andar, pequenos e belos cachos que aspiram sofregamente ser amparados, contornados, acondicionados, prensados, apalpados, beijados, mordiscados… as coxas fortes e pronunciadas que anunciam o envolvimento e que me levam, prendem e cingem-me contra a vagina quente e húmida, sôfrega pela penetração do meu pénis. Envolvo-a com os meus braços. Percorro o caminho desde a nuca até as nádegas, que agarro convictamente num movimento ascendente. Pressiono-a contra mim. Tenho agora o meu pénis enrijecido e fervilhante contra o seu ventre. A respiração acelerada e ofegante. Beijo-a louca e apaixonadamente. Ajustamo-nos um ao outro! O meu pénis está agora deitado no leito formado pelos lábios vaginais. Uma pequena e propositada hesitação que aumenta a excitação. Penetro-a! Estou dentro dela! Ela recebe-me calorosamente! Fundimo-nos! Toda o sentido do nosso amor, toda a sua razão de ser. Bastamo-nos! Não precisamos de nada nem de ninguém. Ali os dois num só, num relâmpago explosivo e luminoso de êxtase total.
Uma relação incaracterística de avanços e recuos, com uma gramática muito particular e recheada, pontuada aqui e ali na sua variedade extrema.
As interrogações: Amas-me? Queres que vá para dentro de ti? Gostas de me ter? Como é estar dentro de mim? As vírgulas, essas pequenas pausas que nos permitiam respirar, retemperar forças e retomar o fôlego. Os pontos e vírgulas que sinalizam as frases não acabadas, e que mostram toda a continuidade de algo que ainda está incompleto e está por vir sem horizonte delimitado. Os dois pontos que pausam e enunciam as enumerações do nosso amor. As exclamações de felicidade, bem estar, harmonia, de enlevo, de inebriação, de completação do sentido do todo. As reticências que marcam as interrupções propositadas nas frases, que se mostram à primeira vista incompletas, quando ditas, mas que se completam quando não ditas, porque não há necessidade: conhecemos e sabemos as palavras que terminam as frases e não as precisamos de enunciar. As aspas que acondicionam o reforço das nossas palavras e dão guarida aos versos edílicos. Os parênteses que enquanto metáforas de nós, aí integrados e apartados de um mundo exterior, por que o nosso mundo somos nós. Os parágrafos que mostram cada um dos agrupamentos de frases e de momentos, que se sucedem e dão corpo e significado a um texto, que é o registo escrito, o diário do nosso amor. Os travessões marcantes e delimitadores das nossas falas, dos nossos diálogos, ou melhor do nosso monólogo connosco próprios. As interjeições: ah, sim! Oh!
E o ponto final! A marca da pausa absoluta. A seguir a um ponto pode vir mais uma frase. Mas não a seguir a um ponto final! Tínhamos colocado um ponto final! Será que a nossa frase, o nosso parágrafo, o nosso capítulo, o nosso texto estava completo?! Não estaria concerteza, ou não estaria na busca incessante de outro amor! Porque o amor nunca está completo! Mas este certamente que tinha chegado ao seu término! Tínhamos avistado o seu horizonte e para lá era o vazio.
Um ponto! Como é que algo assim sem matéria que ‘não tem partes’, tal ínfimo elemento no espaço que não possui corpo, apenas descreve posições através das suas coordenadas, pode ser tão preponderante. Ou como Pontos, antigo deus pré-olímpico do mar, gerado por partenogénese de Gaia, que o gerou por si própria sem se acasalar. Pontus parece no entanto pouco mais que uma personificação do mar. Ele próprio com uma existência imaterializada, apenas representando essa imensidão e vastidão de águas perturbadas do desconhecido que transbordam e fustigam as praias e as suas areias.
Um ponto! Um ponto final!
Um ponto final porque “às vezes nem sempre tudo vale mais que quase nada” e “nem sempre a luz no fundo é o fim da caminhada”…
sábado, 25 de agosto de 2007
quarta-feira, 15 de agosto de 2007
palavras adubadas
são palavras quais flores que eu colhi só para ti a pensar em ti, desse jardim de inspiração cultivado e enriquecido pelo adubo de uma musa como tu
Peculiar de facto...
com uma mão modela o pescoço, contorna as orelhas e afaga-lhe a nuca, simultaneamente com dois dedos faz deslizar a ténue e fina alça que marca ao de leve o local da pele por onde sustenta o vestido, desarmando a deslumbrante linha com que o ombro agora nu aguarda a proximidade do calor e o tacto sedento dos lábios que estreitam a curta distância que os separam dos seus poros. a insistente solicitude é então voluptuosamente respondida com o suave e intenso repousar de um beijo que preenche o seu ombro de um puro deleite
ou apenas uma forma peculiar de expressar um desejo
beijo
ou apenas uma forma peculiar de expressar um desejo
beijo
sexta-feira, 20 de julho de 2007
Perfeita ou Imperfeita? Eis a questão…
Perfeição em termos genéricos respeita a um estado daquilo que é completo e sem quaisquer falhas.
Perfeição vem do latim perfectio e perfeito de perfectus. Estas palvras por sua vez derivam de perfictio, que quer dizer 'acabar', 'terminar', 'concluir', ou se se quiser 'aperfeiçoar'. Então literalmente perfectio significa 'acabamento', 'conclusão', 'aperfeiçoamento', e perfectus significa 'acabado', 'terminado', 'concluído', 'aperfeiçoado'. (Priberam Online).
Entre as primeiras tentativas de definir a perfeição, encontra-se a que remonta a Aristóteles, que lhe concede 3 conceitos, em que perfeito:
1. é o que é completo, que é constituído por todas as suas partes necessárias;
2. é o que é tão bom que é inigualável, e nada se lhe assemelha nem é superior;
3. é o que atinge o seu propósito, objectivo ou finalidade.
Estes três seriam depois resumidos a dois por Tomás de Aquino: o primeiro é redundante relativamente ao segundo, pelo que resta então aquilo que é perfeito per si, ou seja substantivamente (substância), e o que é perfeito porque serve os seus propósitos (finalidade).
Poder-se-á afirmar que em todo o sempre o homem procurou e procura alcançar a perfeição. Pode-se até mesmo estabelecer um paralelo entre a busca da felicidade e da perfeição. A finalidade e o próprio movimento da vida são no sentido da busca permanente e incessante da felicidade. E o que é a felicidade senão um estado de perfeição!?
Nesta busca inatingível, como se sabe quando algo é perfeito ou se encontra num estado de perfeição!? Desde cedo houve então a necessidade do estabelecimento de referências sublimes que representariam/representam o ‘ser’ perfeito e o estado de perfeição.
Neste particular, estabeleceram-se sobretudo relações entre o ‘Homem’, a ‘Natureza’ e outros níveis sobre-humanos ou sobre-naturais a quem são atribuídas as características últimas da perfeição e os modelos que se deve seguir e atingir.
A mitologia grega encerra em si um exemplo excepcional para o que se acabou de mencionar, ao estabelecer uma relação hierárquica entre deuses, semideuses e heróis, e os restantes homens, existindo assim um meio comparativo que auxiliava e localizava nessa hierarquia o grau de perfeição dos homens, e das coisas ou da natureza, quando esta se assemelhasse ou não ao local onde habitavam os deuses: o Olimpo.
Com o decorrer dos tempos, as capacidades, os conhecimentos, e o domínio da técnica e da arte têm impulsionado um conjunto de entendimentos disciplinares e parcelares do que é perfeito e do estado de perfeição.
É assim que se pode falar em perfeição em disciplinas como a matemática, a física, a química, a ética, a estética, a ontologia e a teologia.
Em matemática refere-se aos números perfeitos, por exemplo.
Na física e na química associa-se a um conjunto de conceitos a palavra perfeito, que em muitos casos serve para designar estados últimos ou inexistentes de propriedades e comportamentos dos elementos. Um fluído perfeito é aquele que não é compressível e é não-viscoso, e um tal fluído é ideal e inexistente na natureza. Um gás perfeito ou ideal é um modelo idealizado para o comportamento de um gás.
Estes conceitos são necessários em física e em química, na medida em que estabelecem limiares, valores e comportamentos ideais e que são ficcionais. A sua necessidade é fundamental na medida em que estabelecem os extremos a que em maior ou menor grau os elementos presentes na natureza se podem aproximar. Dito de outra forma, as ‘coisas reais’ são tanto mais próximos da perfeição quanto se aproximam desses valores ou comportamentos ideais, embora nunca se possa falar estritamente em perfeito ou perfeição.
Pode-se aqui introduzir uma consideração sobre a natureza, tendo em conta este posicionamento advindo da perspectiva científica, analisando sobre os dois pontos de vista iniciais: o da substância e o da finalidade.
Pelo entendimento desta perspectiva todos os elementos na natureza são imperfeitos, porquanto nenhum deles se caracteriza pela presença dos valores e comportamentos ideais. No entanto, de uma forma agregada o conjunto dos elementos relacionando-se constantemente entre si, num organismo global vivo, a que aqui designamos por natureza, pode-se afirmar que a natureza é perfeita, no sentido em que cumpre de forma excepcional a sua finalidade, isto é, não é perfeita substantivamente, mas é perfeita na busca da sua finalidade, a sua sobrevivência, continuidade e evolução.
O debate sobre perfeição no campo da ética, incide iminentemente sobre o homem, mas não se questiona se o homem é ou não perfeito, mas sim se o homem deve ser perfeito, e em caso afirmativo, o que significa o que é ser perfeito e como se obtém tal estado de perfeição.
Este debate é essencialmente dirimido por duas vias: a teológica e a ontológica. A via teológica refere-se à perfeição no âmbito da religiosidade e da existência de um deus ou deuses, os quais são ‘personificações’ da perfeição e que todos os homens deveriam ‘ser perfeitos’ à imagem dos seus deuses. Assim sendo, o homem seria mais ou menos perfeito consoante a sua maior ou menor adequação aos modelos de vida, leis e virtudes religiosas associadas ao culto do respectivo deus.
A via ontológica segue uma interpretação antropocêntrica relacionada com o seu posicionamento na natureza (a natureza é perfeita, e perfeito é o homem que vive em harmonia com as leias da natureza), distinguindo duas interpretações: (1) o homem primitivo como sendo aquele mais perto da perfeição, porque era o mais próximo da natureza. A perfeição é colocada no homem do passado, porque se entendia que a civilização afastou o homem da perfeição em vez de o levar para mais perto dela; (2) a civilização aperfeiçoou o homem trazendo-o mais perto da razão, e desse modo à natureza, uma vez que a razão conduziria a vida com a devida consideração pelas leis da natureza.
Entretanto o desenvolvimento das ciências sociais e biológicas tem provocado alterações no entendimento da perfeição, concedendo-lhe duas perspectivas que se consubstanciam numa mudança de enfoque não na perfeição em si, mas na sua busca, ou seja o importante não é realmente a perfeição mas sim o ‘aperfeiçoamento’. Acresce que a perfeição não reside apenas em fontes individuais, mas também sociais. Sendo o indivíduo parte de uma sociedade, a perfeição social sobrepõe-se à perfeição individual: a perfeição social influencia a humanidade enquanto que a perfeição individual apenas diz respeito ao indivíduo.
A estética é outro ponto de onde se observa ou se discute a perfeição. Na Grécia Antiga a perfeição era tida como um requisito para a beleza e para as ‘belas artes’. Pitágoras defendia que a perfeição era encontrada nas proporções exactas e na combinação harmoniosa das partes. Platão acreditava que a arte tinha de ser ‘apta, apropriada, se desvios, enfim perfeita.
As considerações no âmbito da estética evoluíram ao longo dos tempos desde o entendimento de que a ‘beleza consiste na perfeição, e que é por isso que a beleza é uma fonte de prazer’, à negação de que beleza e perfeição são sinónimos, uma vez que ‘o julgamento do gosto (ie o julgamento estético) é independente do conceito de perfeição – ou seja a beleza é algo diferente de perfeição’. Mais do que afirmar que beleza e perfeição não são sinónimos, surgiram entendimentos baseados na negação da ideia de que a perfeição é a causa da beleza, e que a beleza quase sempre envolve elementos de imperfeição.
A partir do que se tem vindo a dizer, é-se então chegado a um paradoxo deveras singular e que é o seguinte: a maior perfeição é a imperfeição. De um entendimento inicial de que a perfeição é algo que é completo e que nada lhe fará falta (nada a acrescentar nem nada a retirar), é assim contestado pelo facto de tal estado não admitir aperfeiçoamentos. A perfeição depende então de sucessivos estados incompletos, uma vez que estes estados têm um potencial de desenvolvimento e de acabamento com novas características. A imperfeição é perfeita.
Finalmente verifica-se também que os entendimentos carecem de entendimentos e análises inter-relacionais e de perspectivas críticas. Tais entendimentos dependem da escala de abordagem, da escala e o tempo cronológico, do contexto individual e societal, da evolução civilizacional, dependem do ponto de origem e das coordenadas âncora com que encaramos as situações, as perspectivas, os desejos e anseios…
A escala abrangida pela Natureza, é ela própria de uma ‘imensidão imensurável’ que tende para o infinito, e envolve desde o sub-atómico até ao amplamente universal. Para uma consciencialização dos sistemas e das conexões expressas na relatividade de escalas ver por exemplo o documento consubstanciado pelo filme ‘Powers of Ten’ realizado em 1977 por Charles and Ray Eames.
"Perfection is no more attainable for us than is infinity. One ought not to seek it anywhere: not in love, nor beauty, nor happiness, nor virtue; but one should love it, in order to be virtuous, beautiful and happy, insofar as that is possible for man." Alfred de Musset
"To strive for perfection, to devote endless time to a work, to set oneself — like Goethe— an unattainable goal, are all intents that are precluded by the pattern of modern life." Paul Valéry
Somos chegados então à consideração de um caso individualizado: es ou não perfeita?!
Enquanto ser vivo constituída por um conjunto de elementos que têm comportamentos e características reais, e não as ideais, poder-se-á dizer que és imperfeita.
Enquanto ser vivo com um conjunto agregado de elementos que formam um corpo comum, ou dito em sentido figurado, uma máquina natural, as inter-relações que os elementos estabelecem, e o funcionamento dos órgãos trabalham todos no âmbito da manter uma máquina com um processo produtivo complexo e cuja produção é contínua, e não admite paragens. Neste sentido és perfeita, porquanto o corpo e os seus constituintes cumprem a sua finalidade.
Mas pode-se entender também que és imperfeita se se assumir que não existe um funcionamento óptimo d corpo humano, com todos os seus órgãos a funcionarem plenamente, no limiar dos valores ideais. Para tal haveria um funcionamento óptimo para tal, e poder-se-ia atribuir um grau de perfeição do funcionamento do teu organismo relativamente ao funcionamento de um organismo humano ideal.
Enquanto ser vivo ‘individual’ como um elemento constituinte do meio global que é a natureza, serás parte de uma engrenagem quem tem como papel o de contribuir para a acção final da natureza de assegurar a continuidade e transformação da vida. Como avaliar a perfeição ou imperfeição neste caso? Qual a tua contribuição para a transformação da vida? Qual o teu papel para a continuidade da vida?
Enquanto indivíduo és perfeita? ie, relativamente aos anseios, desejos e entendimentos da vida e da busca da felicidade, o motivo sublime da acção humana?
Enquanto indivíduo membro de uma comunidade, de uma sociedade és perfeita ou imperfeita? No contributo social, na relação social, nas relações inter-pessoais, nas actividades, nos prazeres, no amor? Contribuis para a perfeição ou imperfeição de outrem? Quem contribui para a tua perfeição / imperfeição?
Enquanto indivíduo no seio de uma comunidade alicerçado num conjunto de valores judaico-cristãos, mais especificamente católicos, és perfeita no que representa à tua semelhança com deus, a tua busca da paz interior, da tua graça divina, da tua fé, da tua procura de viver à imagem e semelhança de deus?
Enquanto ser vivo que tem um corpo com existência física e que tem uma forma única e inimitável associada, tens um corpo perfeito no sentido estético? Poder-se-á dizer que sim, poder-se-á dizer que não! Dependendo de quem ‘avalia esteticamente’ podes ser ou não perfeita. Uma avaliação que depende do quadro formal, educacional, cultural e societal do observador. E mais, não dependerá essa avaliação de um sentimento? O dito popular lá refere que para quem ama, bonito lhe parece! Mas como se viu acima a beleza e a perfeição não são sinónimos pois não!? E que tal se fores imperfeita? Não são outros que dizem que a verdadeira perfeição é a imperfeição?
E depois disto tudo? Queres ser perfeita ou imperfeita? Sabendo que o estado de perfeição é um estado inexistente, ideal, e inatingível? Mas sabendo também que mesmo que seja concretizável isso quer dizer que não terá nunca oportunidade de melhorar! Queres ser imperfeita? Queres ter um potencial de desenvolvimento e de aperfeiçoamento permanente?
És perfeita ou imperfeita? Queres ser perfeita ou imperfeita?
Perfeição vem do latim perfectio e perfeito de perfectus. Estas palvras por sua vez derivam de perfictio, que quer dizer 'acabar', 'terminar', 'concluir', ou se se quiser 'aperfeiçoar'. Então literalmente perfectio significa 'acabamento', 'conclusão', 'aperfeiçoamento', e perfectus significa 'acabado', 'terminado', 'concluído', 'aperfeiçoado'. (Priberam Online).
Entre as primeiras tentativas de definir a perfeição, encontra-se a que remonta a Aristóteles, que lhe concede 3 conceitos, em que perfeito:
1. é o que é completo, que é constituído por todas as suas partes necessárias;
2. é o que é tão bom que é inigualável, e nada se lhe assemelha nem é superior;
3. é o que atinge o seu propósito, objectivo ou finalidade.
Estes três seriam depois resumidos a dois por Tomás de Aquino: o primeiro é redundante relativamente ao segundo, pelo que resta então aquilo que é perfeito per si, ou seja substantivamente (substância), e o que é perfeito porque serve os seus propósitos (finalidade).
Poder-se-á afirmar que em todo o sempre o homem procurou e procura alcançar a perfeição. Pode-se até mesmo estabelecer um paralelo entre a busca da felicidade e da perfeição. A finalidade e o próprio movimento da vida são no sentido da busca permanente e incessante da felicidade. E o que é a felicidade senão um estado de perfeição!?
Nesta busca inatingível, como se sabe quando algo é perfeito ou se encontra num estado de perfeição!? Desde cedo houve então a necessidade do estabelecimento de referências sublimes que representariam/representam o ‘ser’ perfeito e o estado de perfeição.
Neste particular, estabeleceram-se sobretudo relações entre o ‘Homem’, a ‘Natureza’ e outros níveis sobre-humanos ou sobre-naturais a quem são atribuídas as características últimas da perfeição e os modelos que se deve seguir e atingir.
A mitologia grega encerra em si um exemplo excepcional para o que se acabou de mencionar, ao estabelecer uma relação hierárquica entre deuses, semideuses e heróis, e os restantes homens, existindo assim um meio comparativo que auxiliava e localizava nessa hierarquia o grau de perfeição dos homens, e das coisas ou da natureza, quando esta se assemelhasse ou não ao local onde habitavam os deuses: o Olimpo.
Com o decorrer dos tempos, as capacidades, os conhecimentos, e o domínio da técnica e da arte têm impulsionado um conjunto de entendimentos disciplinares e parcelares do que é perfeito e do estado de perfeição.
É assim que se pode falar em perfeição em disciplinas como a matemática, a física, a química, a ética, a estética, a ontologia e a teologia.
Em matemática refere-se aos números perfeitos, por exemplo.
Na física e na química associa-se a um conjunto de conceitos a palavra perfeito, que em muitos casos serve para designar estados últimos ou inexistentes de propriedades e comportamentos dos elementos. Um fluído perfeito é aquele que não é compressível e é não-viscoso, e um tal fluído é ideal e inexistente na natureza. Um gás perfeito ou ideal é um modelo idealizado para o comportamento de um gás.
Estes conceitos são necessários em física e em química, na medida em que estabelecem limiares, valores e comportamentos ideais e que são ficcionais. A sua necessidade é fundamental na medida em que estabelecem os extremos a que em maior ou menor grau os elementos presentes na natureza se podem aproximar. Dito de outra forma, as ‘coisas reais’ são tanto mais próximos da perfeição quanto se aproximam desses valores ou comportamentos ideais, embora nunca se possa falar estritamente em perfeito ou perfeição.
Pode-se aqui introduzir uma consideração sobre a natureza, tendo em conta este posicionamento advindo da perspectiva científica, analisando sobre os dois pontos de vista iniciais: o da substância e o da finalidade.
Pelo entendimento desta perspectiva todos os elementos na natureza são imperfeitos, porquanto nenhum deles se caracteriza pela presença dos valores e comportamentos ideais. No entanto, de uma forma agregada o conjunto dos elementos relacionando-se constantemente entre si, num organismo global vivo, a que aqui designamos por natureza, pode-se afirmar que a natureza é perfeita, no sentido em que cumpre de forma excepcional a sua finalidade, isto é, não é perfeita substantivamente, mas é perfeita na busca da sua finalidade, a sua sobrevivência, continuidade e evolução.
O debate sobre perfeição no campo da ética, incide iminentemente sobre o homem, mas não se questiona se o homem é ou não perfeito, mas sim se o homem deve ser perfeito, e em caso afirmativo, o que significa o que é ser perfeito e como se obtém tal estado de perfeição.
Este debate é essencialmente dirimido por duas vias: a teológica e a ontológica. A via teológica refere-se à perfeição no âmbito da religiosidade e da existência de um deus ou deuses, os quais são ‘personificações’ da perfeição e que todos os homens deveriam ‘ser perfeitos’ à imagem dos seus deuses. Assim sendo, o homem seria mais ou menos perfeito consoante a sua maior ou menor adequação aos modelos de vida, leis e virtudes religiosas associadas ao culto do respectivo deus.
A via ontológica segue uma interpretação antropocêntrica relacionada com o seu posicionamento na natureza (a natureza é perfeita, e perfeito é o homem que vive em harmonia com as leias da natureza), distinguindo duas interpretações: (1) o homem primitivo como sendo aquele mais perto da perfeição, porque era o mais próximo da natureza. A perfeição é colocada no homem do passado, porque se entendia que a civilização afastou o homem da perfeição em vez de o levar para mais perto dela; (2) a civilização aperfeiçoou o homem trazendo-o mais perto da razão, e desse modo à natureza, uma vez que a razão conduziria a vida com a devida consideração pelas leis da natureza.
Entretanto o desenvolvimento das ciências sociais e biológicas tem provocado alterações no entendimento da perfeição, concedendo-lhe duas perspectivas que se consubstanciam numa mudança de enfoque não na perfeição em si, mas na sua busca, ou seja o importante não é realmente a perfeição mas sim o ‘aperfeiçoamento’. Acresce que a perfeição não reside apenas em fontes individuais, mas também sociais. Sendo o indivíduo parte de uma sociedade, a perfeição social sobrepõe-se à perfeição individual: a perfeição social influencia a humanidade enquanto que a perfeição individual apenas diz respeito ao indivíduo.
A estética é outro ponto de onde se observa ou se discute a perfeição. Na Grécia Antiga a perfeição era tida como um requisito para a beleza e para as ‘belas artes’. Pitágoras defendia que a perfeição era encontrada nas proporções exactas e na combinação harmoniosa das partes. Platão acreditava que a arte tinha de ser ‘apta, apropriada, se desvios, enfim perfeita.
As considerações no âmbito da estética evoluíram ao longo dos tempos desde o entendimento de que a ‘beleza consiste na perfeição, e que é por isso que a beleza é uma fonte de prazer’, à negação de que beleza e perfeição são sinónimos, uma vez que ‘o julgamento do gosto (ie o julgamento estético) é independente do conceito de perfeição – ou seja a beleza é algo diferente de perfeição’. Mais do que afirmar que beleza e perfeição não são sinónimos, surgiram entendimentos baseados na negação da ideia de que a perfeição é a causa da beleza, e que a beleza quase sempre envolve elementos de imperfeição.
A partir do que se tem vindo a dizer, é-se então chegado a um paradoxo deveras singular e que é o seguinte: a maior perfeição é a imperfeição. De um entendimento inicial de que a perfeição é algo que é completo e que nada lhe fará falta (nada a acrescentar nem nada a retirar), é assim contestado pelo facto de tal estado não admitir aperfeiçoamentos. A perfeição depende então de sucessivos estados incompletos, uma vez que estes estados têm um potencial de desenvolvimento e de acabamento com novas características. A imperfeição é perfeita.
Finalmente verifica-se também que os entendimentos carecem de entendimentos e análises inter-relacionais e de perspectivas críticas. Tais entendimentos dependem da escala de abordagem, da escala e o tempo cronológico, do contexto individual e societal, da evolução civilizacional, dependem do ponto de origem e das coordenadas âncora com que encaramos as situações, as perspectivas, os desejos e anseios…
A escala abrangida pela Natureza, é ela própria de uma ‘imensidão imensurável’ que tende para o infinito, e envolve desde o sub-atómico até ao amplamente universal. Para uma consciencialização dos sistemas e das conexões expressas na relatividade de escalas ver por exemplo o documento consubstanciado pelo filme ‘Powers of Ten’ realizado em 1977 por Charles and Ray Eames.
"Perfection is no more attainable for us than is infinity. One ought not to seek it anywhere: not in love, nor beauty, nor happiness, nor virtue; but one should love it, in order to be virtuous, beautiful and happy, insofar as that is possible for man." Alfred de Musset
"To strive for perfection, to devote endless time to a work, to set oneself — like Goethe— an unattainable goal, are all intents that are precluded by the pattern of modern life." Paul Valéry
Somos chegados então à consideração de um caso individualizado: es ou não perfeita?!
Enquanto ser vivo constituída por um conjunto de elementos que têm comportamentos e características reais, e não as ideais, poder-se-á dizer que és imperfeita.
Enquanto ser vivo com um conjunto agregado de elementos que formam um corpo comum, ou dito em sentido figurado, uma máquina natural, as inter-relações que os elementos estabelecem, e o funcionamento dos órgãos trabalham todos no âmbito da manter uma máquina com um processo produtivo complexo e cuja produção é contínua, e não admite paragens. Neste sentido és perfeita, porquanto o corpo e os seus constituintes cumprem a sua finalidade.
Mas pode-se entender também que és imperfeita se se assumir que não existe um funcionamento óptimo d corpo humano, com todos os seus órgãos a funcionarem plenamente, no limiar dos valores ideais. Para tal haveria um funcionamento óptimo para tal, e poder-se-ia atribuir um grau de perfeição do funcionamento do teu organismo relativamente ao funcionamento de um organismo humano ideal.
Enquanto ser vivo ‘individual’ como um elemento constituinte do meio global que é a natureza, serás parte de uma engrenagem quem tem como papel o de contribuir para a acção final da natureza de assegurar a continuidade e transformação da vida. Como avaliar a perfeição ou imperfeição neste caso? Qual a tua contribuição para a transformação da vida? Qual o teu papel para a continuidade da vida?
Enquanto indivíduo és perfeita? ie, relativamente aos anseios, desejos e entendimentos da vida e da busca da felicidade, o motivo sublime da acção humana?
Enquanto indivíduo membro de uma comunidade, de uma sociedade és perfeita ou imperfeita? No contributo social, na relação social, nas relações inter-pessoais, nas actividades, nos prazeres, no amor? Contribuis para a perfeição ou imperfeição de outrem? Quem contribui para a tua perfeição / imperfeição?
Enquanto indivíduo no seio de uma comunidade alicerçado num conjunto de valores judaico-cristãos, mais especificamente católicos, és perfeita no que representa à tua semelhança com deus, a tua busca da paz interior, da tua graça divina, da tua fé, da tua procura de viver à imagem e semelhança de deus?
Enquanto ser vivo que tem um corpo com existência física e que tem uma forma única e inimitável associada, tens um corpo perfeito no sentido estético? Poder-se-á dizer que sim, poder-se-á dizer que não! Dependendo de quem ‘avalia esteticamente’ podes ser ou não perfeita. Uma avaliação que depende do quadro formal, educacional, cultural e societal do observador. E mais, não dependerá essa avaliação de um sentimento? O dito popular lá refere que para quem ama, bonito lhe parece! Mas como se viu acima a beleza e a perfeição não são sinónimos pois não!? E que tal se fores imperfeita? Não são outros que dizem que a verdadeira perfeição é a imperfeição?
E depois disto tudo? Queres ser perfeita ou imperfeita? Sabendo que o estado de perfeição é um estado inexistente, ideal, e inatingível? Mas sabendo também que mesmo que seja concretizável isso quer dizer que não terá nunca oportunidade de melhorar! Queres ser imperfeita? Queres ter um potencial de desenvolvimento e de aperfeiçoamento permanente?
És perfeita ou imperfeita? Queres ser perfeita ou imperfeita?
quarta-feira, 18 de julho de 2007
Nobody´s perfect
Nobody´s perfect,
well i´m a nobody,
so therefore I must be perfect!!!
Então é assim:
NOBODY per si, segundo vários dicionários significa:
no person (Cambridge Learner's Dictionary)
vamos por partes:
NO
É a forma reduzida de NONE, que significa nenhum / nenhuma / nada
PERSON
Ser humano, pessoa, indivíduo
Ou seja, será nenhuma pessoa, nenhum indivíduo
mas NOBODY também se pode entender como NO+BODY
vamos por partes novamente:
NO
Já vimos atrás
BODY
Refere-se à forma física de humanos ou animais (MSN Encarta Dictionary), ou à estrutura física de uma pessoa/indivíduo (person) ou animal (Cambridge Learner's Dictionary)
Assim sendo NO+BODY quererá dizer nenhum corpo, ou melhor dito pessoa/indivíduo sem estrutura física, ou sem existência concreta e palpável
Resumindo tudo, a afirmação “I’m a nobody” literalmente significará “sou nenhuma pessoa”, ou “sou um indivíduo sem corpo” ou “sou alguém sem existência / estrutura física”. A própria afirmação “sou nenhuma pessoa” peca uma vez que para ser uma pessoa implica necessariamente uma existência física e um corpo, ou seja ser um indivíduo. Como és uma pessoa, um indivíduo com existência física e terrena, a afirmação “I’m a nobody” é falsa!
Isto tudo para dizer que não sendo tu “ninguém”, logo não podes ser perfeita!
well i´m a nobody,
so therefore I must be perfect!!!
Então é assim:
NOBODY per si, segundo vários dicionários significa:
no person (Cambridge Learner's Dictionary)
vamos por partes:
NO
É a forma reduzida de NONE, que significa nenhum / nenhuma / nada
PERSON
Ser humano, pessoa, indivíduo
Ou seja, será nenhuma pessoa, nenhum indivíduo
mas NOBODY também se pode entender como NO+BODY
vamos por partes novamente:
NO
Já vimos atrás
BODY
Refere-se à forma física de humanos ou animais (MSN Encarta Dictionary), ou à estrutura física de uma pessoa/indivíduo (person) ou animal (Cambridge Learner's Dictionary)
Assim sendo NO+BODY quererá dizer nenhum corpo, ou melhor dito pessoa/indivíduo sem estrutura física, ou sem existência concreta e palpável
Resumindo tudo, a afirmação “I’m a nobody” literalmente significará “sou nenhuma pessoa”, ou “sou um indivíduo sem corpo” ou “sou alguém sem existência / estrutura física”. A própria afirmação “sou nenhuma pessoa” peca uma vez que para ser uma pessoa implica necessariamente uma existência física e um corpo, ou seja ser um indivíduo. Como és uma pessoa, um indivíduo com existência física e terrena, a afirmação “I’m a nobody” é falsa!
Isto tudo para dizer que não sendo tu “ninguém”, logo não podes ser perfeita!
A felicidade é como a pluma
“A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar.”
Tom Jobim e Vinícius de Moraes
A finalidade e o próprio movimento da vida são no sentido da busca permanente e incessante da felicidade. É ela que nos alimenta e impele. Sendo certo que parte dessa dinâmica depende de uma força motora intrínseca e endógena em cada um de nós, também é certo que o ‘mundo’ em que vivemos condiciona, dificulta e/ou proporciona a nossa felicidade. Mais que uma felicidade individualizada, as felicidades construídas em bases partilhadas apresentam-se mais prazerosas: quando o fôlego se mostra ofegante e curto para manter a brisa a soprar, outros ventos contribuem para manter a pluma a esvoaçar.
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar.”
Tom Jobim e Vinícius de Moraes
A finalidade e o próprio movimento da vida são no sentido da busca permanente e incessante da felicidade. É ela que nos alimenta e impele. Sendo certo que parte dessa dinâmica depende de uma força motora intrínseca e endógena em cada um de nós, também é certo que o ‘mundo’ em que vivemos condiciona, dificulta e/ou proporciona a nossa felicidade. Mais que uma felicidade individualizada, as felicidades construídas em bases partilhadas apresentam-se mais prazerosas: quando o fôlego se mostra ofegante e curto para manter a brisa a soprar, outros ventos contribuem para manter a pluma a esvoaçar.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006
Desestabilizadora
este mail não tem piada nenhuma
não será um daqueles mails sérios que esperas receber
nem sei se será sequer um mail
em todo o caso
já é uma novidade na tua caixa de correio
afinal nunca te tinha enviado um mail
apesar de não ter havido elementos desestabilizadores
passei a tarde de hoje completamente desestabilizado
precisamente porque não havia desestabilizadora
também quem é que espera que o trabalho renda às sextas à tarde?
desestabilizas porque estás
e desestabilizas porque não estás
primeiro
depois de um tipo ter:
acordado antes da hora
(yes, ainda dá para dormir mais um bocado)
adormecido novamente
acordado com o braço esquerdo completamente dormente
tomado banho só podendo usar uma mão…
então, mas uma mão é para segurar o chuveiro..
e espalhar o champô e o gel de banho?
e lavar-se como deve ser, não?
e vestir-se só com uma mão?
e calçar-se?
e ter:
tomado um café com leite apressadamente,
chegado atrasado ao escritório com o boss presente,
quando esteve a semana toda ausente
oh my god!
ai ai ai a minha vida!
aparece a desestabilizadora ;)
e eu naquela
ah e tal
então por aí num sítio qualquer com 20.ºC à sombra
no mínimo
ou em ipanema a tomar uma caipirinha
etc e tal
como que a conformar-me
por estar no escritório
quando me saberia tão bem
estar em casa
não
vem dizer que ainda está de pijama
acabadinha de sair da cama
no quentinho bem bom de casa
ah e tal
e vou tomar o pequeno almoço
às 11 e tal da manhã?!
eu só a pensar:
ARRRRRRRRRRRHHHHHHHHHHHHH
TAMBÉM QUERO!!!!
ainda que me dissesse
ah e tal
estou num ciber point
a aproveitar a paragem do autocarro
numa estação de serviço
numa daquelas viagens de excursão
do tipo
serra da estrela, 1 dia
galicia 1 dia
alentejo 2 dias
torremolinos, 2 dias
rias baixas, 2 dias
torres vedras, mafra, 2 dias
com espectáculo no casino estoril incluído
sim, dessas mesmas excursões
daquelas que sorteiam brindes
que fazem demonstrações de produtos
tipo faqueiros de mil e uma peças
banhadas a prata e ouro de não sei quantos quilates
enfim dessas todas
ah e tal
estou a apanhar um frio descomunal
já tomei um banho de chuva
esta malta é totalmente destrambelhada
e estou a detestar
e etc e tal
se fosse assim
um tipo até pensava:
ena ena
estou aqui no escritório
até está um grau mais quente que lá fora
pensando numa daquelas viagens
até dá vontade de trabalhar
oba oba
isto é que vai ser produtivo hoje
produtivo, o tanas
não
vem dizer que ainda está de pijama
acabadinha de sair da cama
no quentinho bem bom de casa
ah e tal
e vou tomar o pequeno almoço
às 11 e tal da manhã?!
eu só a pensar:
ARRRRRRRRRRRHHHHHHHHHHHHH
TAMBÉM QUERO!!!!
depois
passo por aqui à tarde
a desestabilizar mais um bocado
oba oba
desestabilização brutal
produtividade salvaguardada
mas não
sem desestabilização
não há superação
desestabilizado
sem desestabilizadora
espero que este mail
tenha causado desestabilização
e entropia suficiente
na caixa de correio
que não ofereceu mails
com piada por aí além
nem mails sérios
aguardados
este mail
não tem piada
não é sério
duvido até que seja um mail
mas é certamente
um mail diferente
doido, anormal, parvo
inteligente, criativo
enigmático
e outros adjectivos que tais
o conteúdo deste mail
autodestruir-se-á
instantaneamente
5 segundos após a sua leitura
se o mail não se autodestruiu
é porque o autor é um nabo
não percebe nada de terrorismo
não percebe nada de espionagem
não percebe nada de pirataria informática
anda a ver filmes a mais
e tem a mania que tem piada
e esta é uma piada sem piada nenhuma
ou então o autor pregou-te uma grande peta
uma grande peta parva, claro está
porque nenhuma mensagem de email
se autodestrói 5 segundos depois de lida
ou autodestrói-se?
o conteúdo deste mail
é fruto de uma verborreia mental
causada pela entrada de água
pelos ouvidos, nariz e boca
durante a aula de natação
que causou o afogamento
dos neurónios saudáveis
do autor
na verdade
supõe que o autor
acidentalmente
juntou todo o seu lixo:
este é o resultado
talvez não seja
difícil de explicar
se ao menos o autor
tivesse um cérebro
mas não cometas o erro
de acreditar que este mail é real
não é!
soletrando: N-Ã-O_É
este é um facto indisputável
que foi cientificamente provado
é inútil questionar factos já provados
por favor
não mudes de cor
enquanto lês este mail
toda a gente sabe
que os meus argumentos
são sempre verdadeiros
mas infelizmente
tenho de te demonstrar
o facto de que não estás
em contacto com a realidade
e toda e qualquer semelhança
com factos reais
é pura coincidência
não será um daqueles mails sérios que esperas receber
nem sei se será sequer um mail
em todo o caso
já é uma novidade na tua caixa de correio
afinal nunca te tinha enviado um mail
apesar de não ter havido elementos desestabilizadores
passei a tarde de hoje completamente desestabilizado
precisamente porque não havia desestabilizadora
também quem é que espera que o trabalho renda às sextas à tarde?
desestabilizas porque estás
e desestabilizas porque não estás
primeiro
depois de um tipo ter:
acordado antes da hora
(yes, ainda dá para dormir mais um bocado)
adormecido novamente
acordado com o braço esquerdo completamente dormente
tomado banho só podendo usar uma mão…
então, mas uma mão é para segurar o chuveiro..
e espalhar o champô e o gel de banho?
e lavar-se como deve ser, não?
e vestir-se só com uma mão?
e calçar-se?
e ter:
tomado um café com leite apressadamente,
chegado atrasado ao escritório com o boss presente,
quando esteve a semana toda ausente
oh my god!
ai ai ai a minha vida!
aparece a desestabilizadora ;)
e eu naquela
ah e tal
então por aí num sítio qualquer com 20.ºC à sombra
no mínimo
ou em ipanema a tomar uma caipirinha
etc e tal
como que a conformar-me
por estar no escritório
quando me saberia tão bem
estar em casa
não
vem dizer que ainda está de pijama
acabadinha de sair da cama
no quentinho bem bom de casa
ah e tal
e vou tomar o pequeno almoço
às 11 e tal da manhã?!
eu só a pensar:
ARRRRRRRRRRRHHHHHHHHHHHHH
TAMBÉM QUERO!!!!
ainda que me dissesse
ah e tal
estou num ciber point
a aproveitar a paragem do autocarro
numa estação de serviço
numa daquelas viagens de excursão
do tipo
serra da estrela, 1 dia
galicia 1 dia
alentejo 2 dias
torremolinos, 2 dias
rias baixas, 2 dias
torres vedras, mafra, 2 dias
com espectáculo no casino estoril incluído
sim, dessas mesmas excursões
daquelas que sorteiam brindes
que fazem demonstrações de produtos
tipo faqueiros de mil e uma peças
banhadas a prata e ouro de não sei quantos quilates
enfim dessas todas
ah e tal
estou a apanhar um frio descomunal
já tomei um banho de chuva
esta malta é totalmente destrambelhada
e estou a detestar
e etc e tal
se fosse assim
um tipo até pensava:
ena ena
estou aqui no escritório
até está um grau mais quente que lá fora
pensando numa daquelas viagens
até dá vontade de trabalhar
oba oba
isto é que vai ser produtivo hoje
produtivo, o tanas
não
vem dizer que ainda está de pijama
acabadinha de sair da cama
no quentinho bem bom de casa
ah e tal
e vou tomar o pequeno almoço
às 11 e tal da manhã?!
eu só a pensar:
ARRRRRRRRRRRHHHHHHHHHHHHH
TAMBÉM QUERO!!!!
depois
passo por aqui à tarde
a desestabilizar mais um bocado
oba oba
desestabilização brutal
produtividade salvaguardada
mas não
sem desestabilização
não há superação
desestabilizado
sem desestabilizadora
espero que este mail
tenha causado desestabilização
e entropia suficiente
na caixa de correio
que não ofereceu mails
com piada por aí além
nem mails sérios
aguardados
este mail
não tem piada
não é sério
duvido até que seja um mail
mas é certamente
um mail diferente
doido, anormal, parvo
inteligente, criativo
enigmático
e outros adjectivos que tais
o conteúdo deste mail
autodestruir-se-á
instantaneamente
5 segundos após a sua leitura
se o mail não se autodestruiu
é porque o autor é um nabo
não percebe nada de terrorismo
não percebe nada de espionagem
não percebe nada de pirataria informática
anda a ver filmes a mais
e tem a mania que tem piada
e esta é uma piada sem piada nenhuma
ou então o autor pregou-te uma grande peta
uma grande peta parva, claro está
porque nenhuma mensagem de email
se autodestrói 5 segundos depois de lida
ou autodestrói-se?
o conteúdo deste mail
é fruto de uma verborreia mental
causada pela entrada de água
pelos ouvidos, nariz e boca
durante a aula de natação
que causou o afogamento
dos neurónios saudáveis
do autor
na verdade
supõe que o autor
acidentalmente
juntou todo o seu lixo:
este é o resultado
talvez não seja
difícil de explicar
se ao menos o autor
tivesse um cérebro
mas não cometas o erro
de acreditar que este mail é real
não é!
soletrando: N-Ã-O_É
este é um facto indisputável
que foi cientificamente provado
é inútil questionar factos já provados
por favor
não mudes de cor
enquanto lês este mail
toda a gente sabe
que os meus argumentos
são sempre verdadeiros
mas infelizmente
tenho de te demonstrar
o facto de que não estás
em contacto com a realidade
e toda e qualquer semelhança
com factos reais
é pura coincidência
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