este mail não tem piada nenhuma
não será um daqueles mails sérios que esperas receber
nem sei se será sequer um mail
em todo o caso
já é uma novidade na tua caixa de correio
afinal nunca te tinha enviado um mail
apesar de não ter havido elementos desestabilizadores
passei a tarde de hoje completamente desestabilizado
precisamente porque não havia desestabilizadora
também quem é que espera que o trabalho renda às sextas à tarde?
desestabilizas porque estás
e desestabilizas porque não estás
primeiro
depois de um tipo ter:
acordado antes da hora
(yes, ainda dá para dormir mais um bocado)
adormecido novamente
acordado com o braço esquerdo completamente dormente
tomado banho só podendo usar uma mão…
então, mas uma mão é para segurar o chuveiro..
e espalhar o champô e o gel de banho?
e lavar-se como deve ser, não?
e vestir-se só com uma mão?
e calçar-se?
e ter:
tomado um café com leite apressadamente,
chegado atrasado ao escritório com o boss presente,
quando esteve a semana toda ausente
oh my god!
ai ai ai a minha vida!
aparece a desestabilizadora ;)
e eu naquela
ah e tal
então por aí num sítio qualquer com 20.ºC à sombra
no mínimo
ou em ipanema a tomar uma caipirinha
etc e tal
como que a conformar-me
por estar no escritório
quando me saberia tão bem
estar em casa
não
vem dizer que ainda está de pijama
acabadinha de sair da cama
no quentinho bem bom de casa
ah e tal
e vou tomar o pequeno almoço
às 11 e tal da manhã?!
eu só a pensar:
ARRRRRRRRRRRHHHHHHHHHHHHH
TAMBÉM QUERO!!!!
ainda que me dissesse
ah e tal
estou num ciber point
a aproveitar a paragem do autocarro
numa estação de serviço
numa daquelas viagens de excursão
do tipo
serra da estrela, 1 dia
galicia 1 dia
alentejo 2 dias
torremolinos, 2 dias
rias baixas, 2 dias
torres vedras, mafra, 2 dias
com espectáculo no casino estoril incluído
sim, dessas mesmas excursões
daquelas que sorteiam brindes
que fazem demonstrações de produtos
tipo faqueiros de mil e uma peças
banhadas a prata e ouro de não sei quantos quilates
enfim dessas todas
ah e tal
estou a apanhar um frio descomunal
já tomei um banho de chuva
esta malta é totalmente destrambelhada
e estou a detestar
e etc e tal
se fosse assim
um tipo até pensava:
ena ena
estou aqui no escritório
até está um grau mais quente que lá fora
pensando numa daquelas viagens
até dá vontade de trabalhar
oba oba
isto é que vai ser produtivo hoje
produtivo, o tanas
não
vem dizer que ainda está de pijama
acabadinha de sair da cama
no quentinho bem bom de casa
ah e tal
e vou tomar o pequeno almoço
às 11 e tal da manhã?!
eu só a pensar:
ARRRRRRRRRRRHHHHHHHHHHHHH
TAMBÉM QUERO!!!!
depois
passo por aqui à tarde
a desestabilizar mais um bocado
oba oba
desestabilização brutal
produtividade salvaguardada
mas não
sem desestabilização
não há superação
desestabilizado
sem desestabilizadora
espero que este mail
tenha causado desestabilização
e entropia suficiente
na caixa de correio
que não ofereceu mails
com piada por aí além
nem mails sérios
aguardados
este mail
não tem piada
não é sério
duvido até que seja um mail
mas é certamente
um mail diferente
doido, anormal, parvo
inteligente, criativo
enigmático
e outros adjectivos que tais
o conteúdo deste mail
autodestruir-se-á
instantaneamente
5 segundos após a sua leitura
se o mail não se autodestruiu
é porque o autor é um nabo
não percebe nada de terrorismo
não percebe nada de espionagem
não percebe nada de pirataria informática
anda a ver filmes a mais
e tem a mania que tem piada
e esta é uma piada sem piada nenhuma
ou então o autor pregou-te uma grande peta
uma grande peta parva, claro está
porque nenhuma mensagem de email
se autodestrói 5 segundos depois de lida
ou autodestrói-se?
o conteúdo deste mail
é fruto de uma verborreia mental
causada pela entrada de água
pelos ouvidos, nariz e boca
durante a aula de natação
que causou o afogamento
dos neurónios saudáveis
do autor
na verdade
supõe que o autor
acidentalmente
juntou todo o seu lixo:
este é o resultado
talvez não seja
difícil de explicar
se ao menos o autor
tivesse um cérebro
mas não cometas o erro
de acreditar que este mail é real
não é!
soletrando: N-Ã-O_É
este é um facto indisputável
que foi cientificamente provado
é inútil questionar factos já provados
por favor
não mudes de cor
enquanto lês este mail
toda a gente sabe
que os meus argumentos
são sempre verdadeiros
mas infelizmente
tenho de te demonstrar
o facto de que não estás
em contacto com a realidade
e toda e qualquer semelhança
com factos reais
é pura coincidência
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006
domingo, 30 de outubro de 2005
[des]entendimentos…
este contributo calçado nos sapatos vermelhos, serve de forma extraordinária para esta pequena caminhada do passeio da complementaridade a este sr. certinho vs. caseiro
«
nem sempre as pessoas dizem o que pensam.
nem sempre as pessoas dizem o que querem dizer.
nem sempre as pessoas usam as palavras certas.
nem sempre as palavras correspondem à verdade.
nem sempre as pessoas ouvem o que o outro disse.
nem sempre as pessoas entendem o que foi dito.
nem sempre as pessoas sabem o que o outro quis dizer.
nem sempre as palavras são aquilo que se queria que fosse.
nem sempre há palavras.
haverá sempre pessoas sem saber o que dizer.
haverá sempre pessoas que não entendem o que foi dito.
»
«
nem sempre as pessoas dizem o que pensam.
nem sempre as pessoas dizem o que querem dizer.
nem sempre as pessoas usam as palavras certas.
nem sempre as palavras correspondem à verdade.
nem sempre as pessoas ouvem o que o outro disse.
nem sempre as pessoas entendem o que foi dito.
nem sempre as pessoas sabem o que o outro quis dizer.
nem sempre as palavras são aquilo que se queria que fosse.
nem sempre há palavras.
haverá sempre pessoas sem saber o que dizer.
haverá sempre pessoas que não entendem o que foi dito.
»
o positivo do negativo
ele há momentos que do ponto de vista pessoal da qualidade vivencial e societal são pouco expressivos. ele há momentos que são verdadeiros assomos de (re)descoberta
ele há momentos em que estando apenas num sítio e numa determinada conjuntura física e social, se está simultaneamente em sítios variados ancorados no éter (*)
ele há momentos que nos dizem tão pouco e simultaneamente são reveladores de tanto, revelando-se afinal em experiências absolutamente enriquecedoras, quando pareciam condenadas a um deserto absoluto
ele há sempre coisas para descobrir, angariar, trabalhar, maturar…
sobre mim, sobre os outros, sobre o mundo, sobre…
(*)
éter é uma palavra de origem grega: aithér, que significava, primitivamente, uma espécie de fluido subtil e rarefeito que preenchia todo o espaço e envolvia toda a terra (ubiquidade: o estar em toda a parte a todo o tempo). os gregos, fazendo uso da linguagem, compuseram o termo, provavelmente, a partir de aeí / sempre, e de theîn / correr; aquilo que sempre corre, o que está em perpétuo movimento
ele há momentos em que estando apenas num sítio e numa determinada conjuntura física e social, se está simultaneamente em sítios variados ancorados no éter (*)
ele há momentos que nos dizem tão pouco e simultaneamente são reveladores de tanto, revelando-se afinal em experiências absolutamente enriquecedoras, quando pareciam condenadas a um deserto absoluto
ele há sempre coisas para descobrir, angariar, trabalhar, maturar…
sobre mim, sobre os outros, sobre o mundo, sobre…
(*)
éter é uma palavra de origem grega: aithér, que significava, primitivamente, uma espécie de fluido subtil e rarefeito que preenchia todo o espaço e envolvia toda a terra (ubiquidade: o estar em toda a parte a todo o tempo). os gregos, fazendo uso da linguagem, compuseram o termo, provavelmente, a partir de aeí / sempre, e de theîn / correr; aquilo que sempre corre, o que está em perpétuo movimento
quarta-feira, 12 de outubro de 2005
7 notas a partir de 2 dedos de conversa
- i love music, i breathe music
- para mim é um caso de bidireccionalidade
- temos filósofo…
dó
bidireccionalidade refere-se à caracterização de uma relação que é estabelecida em que a transferência ocorre simultaneamente nos dois sentidos entre dois elementos
ré
usar a palavra bidireccionalidade garante ‘instantaneamente’ ao seu utilizador uma aura algo invulgar, merecendo o epíteto de ‘filósofo’ (mas atenção não descontextualizar nem sobrevalorizar seriamente o que foi dito de forma descontraída), isto é, bidireccionalidade não será uma palavra frequente, quem a usa sairá do comum. sobre este assunto, estudos recentes demonstram que o conjunto de palavras mais usadas no quotidiano é cada vez menor, ou dito de outra forma, cada vez um maior número de pessoas se exprime através de um menor número de palavras, isto é, o seu léxico é cada vez menor, e a sua consequente riqueza de expressão e diferenciação
mi
em jeito de exemplo colateral à nota anterior, e à guisa de curiosidade, deixo aqui dados relativos ao caso chinês, em que nos dicionários advindos das últimas dinastias foram ‘recenseados’ 9353 caracteres. pensa-se que um indivíduo formado provavelmente poderá reconhecer mais de 6000 caracteres. em 1952 definiu-se um patamar de literacia para os camponeses fixado no reconhecimento de 1500 caracteres, e de 2000 caracteres no caso de operários. no entanto, é referido que para ‘ler’ um jornal é necessário reconhecer cerca de 3000 caracteres
fá
filósofo é entendido como alguém invulgar, um tipo ‘afastado da realidade’ que pensa umas coisas malucas que mais ninguém quer saber e não interessa ao comum dos mortais. etimologicamente, filosofia significa amor pela sabedoria, pois que filósofo será aquele que ama a sabedoria… no século xviii era sinónimo de livre pensador. entretanto e sem grandes parangonas, segundo um qualquer simples dicionário, filósofo é aquele que se aplica ao estudo dos princípios e causas e à reflexão racional consistente acerca de princípios gerais que tem o objectivo de obter um entendimento mais profundo das coisas
sol
sim, de facto estabeleço com a música uma relação bidireccional, na medida em que faço opções musicais em função do meu estado de espírito, e em que me deixo influenciar pela música alterando o meu estado de espírito a partir das sensações que uma determinada música me pode provocar. mas não é só nesta medida de simplicidade ou de reciprocidade eu-música. a mesma música pode em si encerrar e provocar diferentes excitações, exaltações, e/ou acalmia, serenidade, ‘degustação’, seja na própria música em si, seja a mesma música em momentos diferentes. por outro lado uma mesma música aparentemente activa pode resultar numa percepção mais passiva e viceversa
lá
mas há a música pela melodia, pela voz, pela letra, pelo conjunto, pela sonoridade, pelo ritmo, pelo interprete, pelo momento, pelo significado em si ou atribuído, pelas remissões a outros, a acontecimentos, a momentos, a vivências, pela transmissão e comunicação de ideias, de sensações, de sentimentos, pela força catalizadora e geradora de pensamentos, pelo contributo para a intra, auto e inter expressão, e pela própria miríade de razões intangíveis e não passíveis de serem elencadas à exaustão
si
em sentido figurado, sendo o intérprete da minha própria personagem no filme da minha vida, em rodagem a todo o instante, é necessidade imperiosa a existência, a todo o instante, da envolvência musical constituindo a todo o momento a respectiva banda sonora
- para mim é um caso de bidireccionalidade
- temos filósofo…
dó
bidireccionalidade refere-se à caracterização de uma relação que é estabelecida em que a transferência ocorre simultaneamente nos dois sentidos entre dois elementos
ré
usar a palavra bidireccionalidade garante ‘instantaneamente’ ao seu utilizador uma aura algo invulgar, merecendo o epíteto de ‘filósofo’ (mas atenção não descontextualizar nem sobrevalorizar seriamente o que foi dito de forma descontraída), isto é, bidireccionalidade não será uma palavra frequente, quem a usa sairá do comum. sobre este assunto, estudos recentes demonstram que o conjunto de palavras mais usadas no quotidiano é cada vez menor, ou dito de outra forma, cada vez um maior número de pessoas se exprime através de um menor número de palavras, isto é, o seu léxico é cada vez menor, e a sua consequente riqueza de expressão e diferenciação
mi
em jeito de exemplo colateral à nota anterior, e à guisa de curiosidade, deixo aqui dados relativos ao caso chinês, em que nos dicionários advindos das últimas dinastias foram ‘recenseados’ 9353 caracteres. pensa-se que um indivíduo formado provavelmente poderá reconhecer mais de 6000 caracteres. em 1952 definiu-se um patamar de literacia para os camponeses fixado no reconhecimento de 1500 caracteres, e de 2000 caracteres no caso de operários. no entanto, é referido que para ‘ler’ um jornal é necessário reconhecer cerca de 3000 caracteres
fá
filósofo é entendido como alguém invulgar, um tipo ‘afastado da realidade’ que pensa umas coisas malucas que mais ninguém quer saber e não interessa ao comum dos mortais. etimologicamente, filosofia significa amor pela sabedoria, pois que filósofo será aquele que ama a sabedoria… no século xviii era sinónimo de livre pensador. entretanto e sem grandes parangonas, segundo um qualquer simples dicionário, filósofo é aquele que se aplica ao estudo dos princípios e causas e à reflexão racional consistente acerca de princípios gerais que tem o objectivo de obter um entendimento mais profundo das coisas
sol
sim, de facto estabeleço com a música uma relação bidireccional, na medida em que faço opções musicais em função do meu estado de espírito, e em que me deixo influenciar pela música alterando o meu estado de espírito a partir das sensações que uma determinada música me pode provocar. mas não é só nesta medida de simplicidade ou de reciprocidade eu-música. a mesma música pode em si encerrar e provocar diferentes excitações, exaltações, e/ou acalmia, serenidade, ‘degustação’, seja na própria música em si, seja a mesma música em momentos diferentes. por outro lado uma mesma música aparentemente activa pode resultar numa percepção mais passiva e viceversa
lá
mas há a música pela melodia, pela voz, pela letra, pelo conjunto, pela sonoridade, pelo ritmo, pelo interprete, pelo momento, pelo significado em si ou atribuído, pelas remissões a outros, a acontecimentos, a momentos, a vivências, pela transmissão e comunicação de ideias, de sensações, de sentimentos, pela força catalizadora e geradora de pensamentos, pelo contributo para a intra, auto e inter expressão, e pela própria miríade de razões intangíveis e não passíveis de serem elencadas à exaustão
si
em sentido figurado, sendo o intérprete da minha própria personagem no filme da minha vida, em rodagem a todo o instante, é necessidade imperiosa a existência, a todo o instante, da envolvência musical constituindo a todo o momento a respectiva banda sonora
sábado, 13 de agosto de 2005
fala à vontade
passei por lá, e não me limitei a atravessar de ponta a ponta, percorri os ínvios caminhos pelo interior desse enorme campo de letras que foi sendo semeado, cultivado e tratado ao longo do fio dos dias, colhendo excelentes 'frutos' de palavras que realmente são mais do que pão para a boca, são pão para a alma, e que no entando não sacia essa fome de sentimentos, pelo contrário, anseia-se por mais e mais... bem haja
segunda-feira, 1 de agosto de 2005
sr. certinho vs caseiro
sr. certinho foi como alguém se dirigiu para mim.
não pude deixar de entender este epíteto completamente deslocado, ainda vindo de quem veio.
compreendo-o, de algum modo, mas concedendo-lhe uma margem de veracidade muito exígua, passe a redundância (1).
por outro lado, é o exemplo acabado de que se chega a rótulos imediatistas tão imprecisos quanto ridículos, e leva-me um pouco mais longe, pressupondo uma analogia global e genérica:
o mundo é o palco da vida em que todos somos actores, ora principais, secundários, ou meramente figurantes, dependendo das situações, no tempo e no espaço, e ainda numa outra dimensão que se refere ao social, entendendo esta última dimensão no que respeita aos destinatários das acções sejam no papel de intervenientes na cena ou de meros espectadores.
em todo o caso, um mesmo indivíduo pode assumir todos os valores possíveis numa gradação de valorização da importância da sua representação, dependendo do ponto de observação, ou se se quiser chamar, numa figura cartesiana, dependendo do ponto de origem.
mas mais do que isto, estamos presentes numa grande peça, mas desempenhando diferentes papéis, ou melhor dito, num sistema de peças, entrando em várias sub-peças que constituem as suas diferentes partes.
deste modo, cada indivíduo tem do outro, não a sua exacta correspondência enquanto indivíduo mas sim uma representação, um papel, uma parte do sistema, que pode ser mais ou menos superficial, ou mais ou menos próxima do sistema no seu todo (sendo que o sistema no seu todo não existirá, ou talvez melhor dito, tenderá para o infinito).
e aqui neste jogo de representações há de tudo, desde representações naturais, a representações dissimuladas, a representações forçadas, a representações voluntárias e involuntárias, e a cada instante os indivíduos poderão de alguma forma regular o seu grau ou a sua postura de actuar, fornecendo representações minimalistas, através de pequenas partes do sistema, ou através de representações mais consentâneas com o aproximar do todo.
é não perceber a relatividade da representação da vida real, e o papel de cada um tem, para consigo próprio e em relação aos outros actores, que casos caricatos como este surgem.
infelizmente ou felizmente, vá-se lá saber…
(1) [para o melhor entendimento da origem desta compreensão e do seu grau de valorização seria necessário um desbravar por assuntos que no caso não se inserem no âmbito do que aqui vai aparecendo, inclusive, este próprio ‘post’ já poderá parecer excessivo…]
não pude deixar de entender este epíteto completamente deslocado, ainda vindo de quem veio.
compreendo-o, de algum modo, mas concedendo-lhe uma margem de veracidade muito exígua, passe a redundância (1).
por outro lado, é o exemplo acabado de que se chega a rótulos imediatistas tão imprecisos quanto ridículos, e leva-me um pouco mais longe, pressupondo uma analogia global e genérica:
o mundo é o palco da vida em que todos somos actores, ora principais, secundários, ou meramente figurantes, dependendo das situações, no tempo e no espaço, e ainda numa outra dimensão que se refere ao social, entendendo esta última dimensão no que respeita aos destinatários das acções sejam no papel de intervenientes na cena ou de meros espectadores.
em todo o caso, um mesmo indivíduo pode assumir todos os valores possíveis numa gradação de valorização da importância da sua representação, dependendo do ponto de observação, ou se se quiser chamar, numa figura cartesiana, dependendo do ponto de origem.
mas mais do que isto, estamos presentes numa grande peça, mas desempenhando diferentes papéis, ou melhor dito, num sistema de peças, entrando em várias sub-peças que constituem as suas diferentes partes.
deste modo, cada indivíduo tem do outro, não a sua exacta correspondência enquanto indivíduo mas sim uma representação, um papel, uma parte do sistema, que pode ser mais ou menos superficial, ou mais ou menos próxima do sistema no seu todo (sendo que o sistema no seu todo não existirá, ou talvez melhor dito, tenderá para o infinito).
e aqui neste jogo de representações há de tudo, desde representações naturais, a representações dissimuladas, a representações forçadas, a representações voluntárias e involuntárias, e a cada instante os indivíduos poderão de alguma forma regular o seu grau ou a sua postura de actuar, fornecendo representações minimalistas, através de pequenas partes do sistema, ou através de representações mais consentâneas com o aproximar do todo.
é não perceber a relatividade da representação da vida real, e o papel de cada um tem, para consigo próprio e em relação aos outros actores, que casos caricatos como este surgem.
infelizmente ou felizmente, vá-se lá saber…
(1) [para o melhor entendimento da origem desta compreensão e do seu grau de valorização seria necessário um desbravar por assuntos que no caso não se inserem no âmbito do que aqui vai aparecendo, inclusive, este próprio ‘post’ já poderá parecer excessivo…]
quinta-feira, 16 de junho de 2005
estou farto...
estou farto de ouvir e
farto que me digam
que sou um tipo inteligente,
espectacular,
que consegue ver para além de…
que vê,
que escreve,
que ouve,
que se interessa por isto,
que se interessa por aquilo,
que é um verdadeiro profissional naquilo que faz,
e que ‘domina’ um conjunto de pequenas ferramentas paralelas e úteis…
que tenho capacidade disto e daquilo,
que produzo elementos e trabalhos com valor,
que sou ‘amigo’,
que sou simpático,
que sou boa companhia,
etc.
todo um conjunto de coisas
que me surgem como visões
positivas e favoráveis e elogiosas
da minha pessoa.
estou farto!
parem por favor!
rogo-vos para que parem com essas considerações!
até porque não sou nada disso que dizem que sou.
não me sinto assim.
não sou!
e mesmo que assim o fosse ou seja,
a verdade é que não me tem levado a lado nenhum.
não sou mais feliz por isso!
não sou assim!
ou
não quero ser assim:
que sou diferente!
que sou uma pessoa bastante especial!
etc.
parem!
não sou!
não quero ser!
não quero ser diferente!
não quero ser especial!
quero ser normal!
só quero ser normal!
quero ser feliz!
só quero ser feliz!
seja lá o que isso for!
não quero ser especial!
não quero que me digam que sou especial!
para depois logo a seguir
me dizerem que não querem estar comigo,
que não gostam de mim!
para depois me abandonarem!
não quero que me admirem!
quero simplesmente que gostem de mim!
quero somente gostar de alguém!
quero estar com alguém que queira estar comigo!
quero afinal o que toda a gente quer:
quero amar e ser amado…
farto que me digam
que sou um tipo inteligente,
espectacular,
que consegue ver para além de…
que vê,
que escreve,
que ouve,
que se interessa por isto,
que se interessa por aquilo,
que é um verdadeiro profissional naquilo que faz,
e que ‘domina’ um conjunto de pequenas ferramentas paralelas e úteis…
que tenho capacidade disto e daquilo,
que produzo elementos e trabalhos com valor,
que sou ‘amigo’,
que sou simpático,
que sou boa companhia,
etc.
todo um conjunto de coisas
que me surgem como visões
positivas e favoráveis e elogiosas
da minha pessoa.
estou farto!
parem por favor!
rogo-vos para que parem com essas considerações!
até porque não sou nada disso que dizem que sou.
não me sinto assim.
não sou!
e mesmo que assim o fosse ou seja,
a verdade é que não me tem levado a lado nenhum.
não sou mais feliz por isso!
não sou assim!
ou
não quero ser assim:
que sou diferente!
que sou uma pessoa bastante especial!
etc.
parem!
não sou!
não quero ser!
não quero ser diferente!
não quero ser especial!
quero ser normal!
só quero ser normal!
quero ser feliz!
só quero ser feliz!
seja lá o que isso for!
não quero ser especial!
não quero que me digam que sou especial!
para depois logo a seguir
me dizerem que não querem estar comigo,
que não gostam de mim!
para depois me abandonarem!
não quero que me admirem!
quero simplesmente que gostem de mim!
quero somente gostar de alguém!
quero estar com alguém que queira estar comigo!
quero afinal o que toda a gente quer:
quero amar e ser amado…
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